Design de Interiores e inclusão

ABD Acadêmico • 11/07/2019


A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF (OMS) contribuiu para a compreensão dos determinantes da saúde e seus diferentes estados, estabelecendo uma linguagem universal, dirigida a todas as pessoas em quaisquer condições. Instrumento de estímulo a políticas de inclusão, a CIF descreve a situação de cada pessoa dentro de uma gama de domínios de saúde, em um dado contexto. Com ela o funcionamento do indivíduo é compreendido como resultado de uma interação complexa entre condições de saúde e fatores contextuais (ambientais e pessoais). A dinâmica entre essas entidades implica em que intervenções em uma têm potencial de modificar outras, alterando o desempenho e a participação do indivíduo na vida cotidiana.

Os fatores pessoais se referem ao cenário privado e abarcam características individuais - gênero, idade, status, condições físicas, hábitos de vida, educação, profissão, experiência, características psicológicas e outras que afetam de algum modo a deficiência.

Mas são os fatores ambientais que exigem o comprometimento da força do designer. Referem-se a aspectos extrínsecos - ambiente físico, construído, social e atitudinal, relações pessoais e sociais, atitudes, valores, sistemas, serviços, normas e políticas públicas, com impacto significativo no desempenho. Abarcam o nível individual - o ambiente imediato, como a casa, o trabalho ou a escola, as características desses elementos com ao quais o indivíduo lida face a face, tanto quanto o contato interpessoal com familiares, pares, conhecidos e desconhecidos; e também o nível social - estruturas formais ou informais, comunidades, agências de governo, serviços de comunicação e transporte, redes sociais, normas formais e informais, atitudes e ideologias que igualmente influenciam.

O impacto dos fatores ambientais resulta em influência positiva ou negativa no desempenho do indivíduo como membro de um grupo social, na sua capacidade e habilidade de ajuste ao ambiente, ou seja, no nível de funcionalidade que consegue atingir em termos de atividade e participação, com a estrutura e funções do seu corpo.

Um ambiente com barreiras restringe o desempenho. Ambientes com dispositivos facilitadores ampliam-no. Prejudica-se a pessoa através da criação ou manutenção de barreiras (prédios não acessíveis, por exemplo) ou através da não disponibilização de elementos facilitadores, passíveis de provocar mudanças na estrutura ou funções do corpo (engenhos assistivos). A capacidade e o desempenho ampliam-se quando se oferecem recursos para que a relação da pessoa com o espaço se dê adequadamente. Desse modo, qualquer significado associado à palavra deficiência pode ser visto como o produto da interação entre variáveis sociais e espaciais.

Nosso papel é assumir a nossa função como agentes facilitadores da inclusão e da participação de todos, quaisquer sejam suas condições particulares. Muito ajuda em nosso trabalho o uso correto do termo pessoa com deficiência. É o preferido e de uso corrente, por evidenciar com dignidade a realidade do indivíduo, sem subterfúgios, valorizando as diferenças e necessidades dela decorrentes, identificando-lhe os direitos pertinentes. Busquemos, portanto, a equiparação de oportunidades, através de medidas que contribuam para a redução das restrições de participação - causadas pelos ambientes humanos e físicos contra as pessoas com deficiência.

Esse um dos nossos papéis mais nobres.

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