Arquitetos e DI: uma profissão em profunda mutação
O italiano Massimo Di Felice, sociólogo e professor de Comunicação da Universidade de São Paulo, falou sobre o ambiente tecnológico e o projeto, destacando a evolução da sociedade para o digital e como isso afeta o habitar e, por conseqüência, a forma de projetar os espaços.
Para Di Felice, a sociedade digital apresenta-se como uma sociedade feita de fluxos comunicativos e de interações homens-máquinas que anulam a distinção analógica entre emissor e receptor. Por outro lado, assim como o início do século passado a idéia de modernidade, modificou a relação do homem com o meio, assistimos agora uma nova revolução resultado da interação entre máquinas comunicativas e informações e inteligências coletivas.
Na Modernidade, a perda do sentido do lugar tornou-se a experiência que se expressou desde a mobília dos interiores até as casas das novas classes em ascensão. As casas da burguesia encheram-se de souvenir, de objetos que convidavam a ir além do lugar, de eletrodomésticos e de meio de comunicação. Tudo parecia convidar a sair do "aqui e agora". O interior das casas, as roupas, os cabelos passam a se pareciam com aqueles mostrados pelas imagens do cinema, uma conquista daqueles tempos.
Neste novo tempo, da era digital, as mudanças no comportamento humano são intensas. O mundo não tem centro nem periferia. Não existe mais o conceito de dentro e fora, de pátria nem tradição. Estamos todos expostos a tudo. Não há mais passado, nem futuro, só o presente. O tecnológico nos permite habitar um espaço ou lugar específico.
No século 21, a tecnologia digital cria um novo território. Di Felice cita que todas as pessoas agora são criadoras (veja www.secondlife.com) e a tecnologia ajuda nesse processo. Diante desse fato, a principal reflexão é sobre o futuro papel do Arquiteto e do Designer de Interiores. Será que o espírito criador que norteia a profissão não será abalado por esses novos sistemas? "Com certeza, sim", enfatiza o professor e pesquisador. Para se ajustar aos novos tempos será essencial operar como um integrador de todos esses sistemas e inteligências, prevê Di Felice.
Exemplifica a idéia de Massimo o vídeo do youtube que retrata a maneira como todos os espaços estão interligados e como o ser humano consegue fazer parte de toda essa rede. |